Bilhete de Identidade

 

 

Maria Alfreda Cruz, de seu nome completo Maria Alfreda Cordeiro da Cruz Ribeiro Viana, viveu em Montijo desde o seu nascimento em 1937 até 1961, data em que se fixou em Lisboa, onde formou família, desenvolvendo paralelamente a sua actividade profissional como geógrafa, licenciada desde 1959 pela Universidade de Lisboa, onde foi professora assistente até 1972, e doutorada em Ciências do Ambiente pela Universidade Nova de Lisboa, em 1990, no ramo do Ordenamento do Território, que comporta a transdisciplinaridade em Ciências Sociais. 

Ligou-se, neste âmbito, desde 1993, à Universidade Autónoma de Lisboa, enquanto Professora Associada, tendo sido sucessivamente Coordenadora da Variante de Educação, Ciência e Cultura do Curso de Ciências Sociais, até 1996, titular, até 2000, da cadeira bienal de Métodos e Técnicas de Investigação Sociológica, na vertente teórica da epistemetodologia, e membro da Comissão Científica do Curso Pós-graduação UAL-EQUAL 2003/2004, com o qual continua a colaborar. 

Em 2006, é convidada pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa a integrar a equipa de investigação vocacionada para a problematização das Ciências Sociais e Políticas no domínio do Ensino Superior, situação a que se propõe corresponder na perspectiva da emergência da Sociedade do Conhecimento.

 

I - Desenvolveu a sua prática científica anterior, quer no âmbito académico quer no dos Institutos de Investigação Científica, tanto à escala nacional (IAC/INIC) como à de Angola (IICA), cujo quadro integrou entre 1966 e 1968, ao optar por acompanhar a deslocação do cônjuge, por imperativo da condição militar deste. Apesar da investigação desenvolvida no Planalto Central de Angola sobre o Ambiente e a Civilização dos Ovimbundu se ter limitado a ser objecto de comunicação que viria apresentar ao Centro de Estudos Geográficos de Lisboa, quando o termo da missão terminou, manteve em carteira de intenções retomar a problemática que despistara logo que os compromissos com a tese de doutoramento, que entretanto interrompera, chegassem a termo. A irrupção da guerra civil de Angola em 1975 viria a invalidar o projecto de indispensável retorno para esse efeito. Permaneceram pois centrais na sua actividade de investigação os trabalhos geográficos desenvolvidos na perspectiva do Desenvolvimento, designadamente os referentes à Península de Setúbal, os quais viriam a ser publicados em 1973: "A Margem Sul do Estuário do Tejo - Factores e Formas de Organização do Espaço", e em 1989: "A Margem Sul do Estuário do Tejo - Contribuição para um Projecto de Ordenamento Integrado do Território", dissertações de doutoramento cujo grau obteve em 1990, com distinção e louvor, contribuindo nesse plano para o reconhecimento científico da identidade regional o arco ribeirinho do Tejo e para a identificação de um projecto de desenvolvimento sustentável, em condições que ainda se não reuniram. 

Na relação das Ciências Sociais com as da Educação, tem assumido a epistemetodologia da transdisciplinaridade, sendo centrais na sua problematização as temáticas da Sociedade do Conhecimento e da Investigação Científica Para o Desenvolvimento Humano e Social, comportando o desenvolvimento de estudos de caso nos campos da pesquisa empírica direccionada para políticas públicas implicadas na socialização, designadamente a partir das funções que tem vindo a desempenhar nos últimos trinta anos como quadro da Administração Pública.

 

II - Enquanto Assessora da Administração Pública, assumiu as metodologias técnico-científicas para o Desenvolvimento desde 1973 no sector da Educação, quer no Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação (1973-1989), onde coordenou os estudos de base da Comissão de Rede Escolar e do Inventário de Carências de que resultou o Plano de Médio Prazo assumido pelo Ministério em 1986, quer no do Ministério do Planeamento e da Administração do Território(1990-1993), do último dos quais foi representante institucional no Programa Educação para Todos, até que, já no âmbito do extinto Instituto de Inovação Educacional (ME), lhe coube ponderar, no quadro do referido Programa e num território específico, as directrizes da Reforma do Sistema Educativo português, em face dos princípios da Declaração Mundial de Jomtiem. 

Em todos os casos enunciados, garantiu a articulação das problemáticas da Educação e do Território. Actualmente assume, nessa mesma perspectiva e na sequência de um triénio sabático proporcionado pelo Ministério da Educação, o projecto de investigação em políticas públicas intitulado "O direito à Cidadania na Sociedade do Conhecimento/Um Serviço Público para a Cidadania", que desenvolveu entre 2002 e 2005, no Departamento de Investigação e Desenvolvimento do Instituto Nacional da Administração e que mantém em agenda na presente página.

 

III - Subjaz a todas as dimensões curriculares assinaladas a sua rede de relações, centradas no seu percurso cívico assumido no plano académico e político, de que releva no primeiro caso, as figuras tutelares de Orlando Ribeiro, Jorge Dias e Manuel Viegas Guerreiro. No plano político, assume o ideário genuíno do Movimento Democrático Português, que dirigiu nos anos 80 e 90, e em representação do qual participou do correspondente Grupo Parlamentar durante a IV Legislatura, bem como, no âmbito Autárquico, da Assembleia Municipal de Lisboa (1979-1984 e 1989-1992), da Vereação da Câmara Municipal de Lisboa, entre 1984-1989, e da Assembleia Metropolitana de Lisboa, no seu primeiro mandato. Enquanto membro da Política XXI que sucedeu ao referido movimento e viria a constituir-se como componente fundadora do Bloco de Esquerda, integrou a primeira Mesa Nacional deste e coordenou a sua Comissão de Direitos, nos mandatos subsequentes. Foi membro da equipa editorial da Revista Manifesto entre 2002 e 2004 e participa do Forum Associação Manifesto - Centro de Estudos Políticos e Sociais, fundado em 2004 com estatuto de associação sem fins lucrativos e a cuja assembleia geral presidiu até 2006.